O Chopp bom de Copo

Conversa de BotequimHélio Gomes Há oito anos, o carismático Hélio Gomes, 62 anos, resolveu que estava na hora de mudar a sua vida radicalmente e tornar a rotina mais mansa. Pensou que o litoral norte paulista era o ambiente ideal para da início ao seu plano de aposentadoria e, assim, descansar o corpo e a mente dos 33 anos de trabalho a frente de estabelecimentos badalados, de sucesso.

Seu caminho chegou a Caraguatatuba, onde se animou com a ideia irresistível de abrir um bar. Experiência não lhe faltava e, apesar de ouvir que seu empreendimento não daria certo na cidade, prosseguiu com sua vontade. Afinal, Hélio nunca se deixa vencer por qualquer desânimo.

Como o jeito que esbanja simpatia, concedeu entrevista à INFORMAR TABATINGA e, já de início, soltou uma pérola: “Vir a Caraguá e não beber chopp no ‘Bar do Hélio’ é como ir à Roma e não ver o papa”.

Acompanhe abaixo a entrevista na íntegra:

Hélio e ReporterInformar tabatinga: Sua fama de bom anfitrião vai longe, resultado de anos como proprietário de estabelecimentos de qualidade. Qual a sua trajetória antes de aportar em Caraguá?

Hélio Gomes: Trabalhei em São José dos Campos durante 25 anos, cidade que amo de todo o coração. Era proprietário do “Frangão”, a primeira galeteria do Vale do Paraíba. Depois, fiquei à frente do “Coelho e Cabrito”, nessa mesma cidade, além do “Bar do Hélio I” na Avenida Ademar de Barros e do “Bar do Hélio II”, na Avenida Nove de Julho.

Informar tabatinga:: O Bar do Hélio (edição praia) surgiu quando?

Hélio: Foi em maio de 2004. Até o endereço era atraente para a instalação de um novo negócio: a Avenida Presidente Castelo Branco esquina com a Rua São José dos Campos, uma verdadeira coincidência de nome, já que vivi tantos anos em São José.

RaízesInformar tabatinga:: Qual a sua naturalidade e o que trouxe a São Paulo?

Hélio: Sou alagoano e resolvi vir para as terras paulistas na época da revolução de 1964. Aquele era um momento no qual não havia perspectivas de um futuro para um jovem como eu em Alagoas. Então, decidi, aos 16 anos, que encontraria uma vida melhor sozinho e me estabeleci em São Paulo.

Informar tabatinga: O que te fez decidir viver em Caraguatatuba?

Hélio: Tinha vendido os empreendimentos de São José dos Campos e estudava outro local para abrir um bar, mas de maneira que pudesse pensar em minha aposentadoria, pois precisava ter mais qualidade de vida. Pensei em Caraguá, cidade de clima aprazível. No começo, alguns acharam que não daria certo, mas arrisquei. Esse foi um dos primeiros bares da cidade. Gosto tanto de bar, que tenho um!

Informar tabatinga:: Ambientou-se rapidamente à cidade?

Hélio e sua ChopeiraHélio: Sim, pois frequentava Caraguá como veranista, sempre ficava em uma casa que possuía aqui. Por conta disso, já conhecia muita gente, não foi difícil me adaptar. Além do mais, hoje o público de São José vem ao “Bar do Hélio” do litoral, já atingimos a terceira geração de clientes.

Informar tabatinga: Do que mais gosta em Caraguá?

Hélio: Da praia, tenho fascínio pelo mar. Tanto que era veranista na cidade, pois me identifico com o litoral. Escolhi esse lugar para ficar.

Informar tabatinga: Qual o diferencial do “Bar do Hélio”?

Hélio: É um lugar extremamente eclético, com um bom chopp e comida sempre inovadora, pois jamais copio um prato de outro bar. Sem contar que a casa tem um estilo voltado para os anos 1940.

Informar tabatinga: O público gosta de se referir ao bar pela quantidade de celebridades que já passou por ele. Afinal, que famosos, de fato, estiveram no seu estabelecimento?

Olivier-Anquier-no-bar-do-helioHélio: (Risos) Muitos! Entre atores e humoristas lembro-me de Jackson Antunes, Ary Fontoura, Roberto Bataglin, Valter Breda, Sílvio Brito, Mauricio Mattar, Nelson Freitas, Juca Chaves, Ronald Golias, Pedro Bismarck, Taumaturgo Ferreira, José Vasconcelo e Ary Toledo; as atrizes Rose Campos e Solange Couto, os músicos Jair Rodrigues e Maurício Manieri; a banda Falamansa e o Axé Blond; Presenças especiais. Todo cliente é especial, mas teve um que me deixou realizado, o cozinheiro e apresentador de TV Óliver Anquier. Ele esteve no bar após sua apresentação de abertura de um festival de gastronomia em Caraguatatuba. Depois, em uma visita à cidade, retornou ao “Bar do Hélio”. Ele é muito educado, simples e competente.

Informar tabatinga: Quais as comidas do bar sempre pedidas?

Hélio: Bolinho de bacalhau é sucesso. A feijoada de sábado também, servimos entre 80 e 100 cumbucas nesse dia.

Informar tabatinga: Gosta de cozinhar? E o que não pode faltar na sua cozinha?

Hélio: Não gosto de cozinhar, e sim de fazer social com a clientela. Sempre penso que tenho que entrar no bar diariamente como se aquele fosse o dia de sua inauguração. Na minha cozinha não pode faltar carne de porco. Adoro todos os derivados dessa iguaria.

Informar tabatinga: O que faz nas horas vagas?

helio_copoHélio: Tenho poucas horas vagas, pois trabalhamos no bar de manhã, a tarde e a noite. Folgo apenas uma vez por semana, normalmente às quartas-feiras. Costumo ir a São José, ou vou para a beira da praia beber uma caipirinha e comer camarão.

Informar tabatinga: Quando um cliente consegue irritá-lo?

Hélio: Quando pede um chopp sem colarinho… O colarinho mantém a qualidade do produto, é uma heresia uma pessoa pedir um chopp sem ele! Isso é uma falta de conhecimento desse precioso líquido… Fico aborrecido, pois imagino que não queira qualidade e sim quantidade.

Informar tabatinga: Sente falta de São José dos Campos?

Hélio: Claro, você trabalha e vive em uma cidade durante 35 anos, quando sai, sente muita saudade. Recebi o título de cidadão joseense, e tive a honra de receber o título de cidadão cadaguatatubense.

Informar tabatinga: Qual o “segredo” do sucesso?

Hélio: Primeiro de tudo, se empenhar com competência, trabalhar bastante e amar o que faz. E sempre se lembrar de que o maior patrimônio de uma pessoa é o bom relacionamento que sem te com as pessoas.